sábado, 19 de julho de 2014

Uma passagem por Xangai

 Xangai foi nossa última parada durante a viagem que fizemos em Abril junto com meus sogros. Ficamos lá somente dois dias e não deu para aproveitar muita coisa. Uma boa desculpa para voltar, pois o pouco que vi valeu a pena.
 Xangai (em chinês: 上海; pinyin: Shànghǎi) é a maior cidade da China e uma das maiores áreas metropolitanas do mundo, com mais de 20 milhões de habitantes. Está localizada na costa central, na foz do rio Yangtze. 


  Originalmente, Xangai era uma vila cuja economia era baseada na pesca e no setor têxtil, crescendo de importância no século XIX devido a localização favorável do seu porto e como uma das cidades abertas ao comércio exterior, em 1842, pelo Tratado de Nanquim. Esse tratado permitiu o comércio entre o Oriente e o Ocidente e parte da cidade foi dividida em "concessões", onde viviam cidadãos estrangeiros em versões miniaturizadas dos seus países de origem. Com isso, a cidade teve uma grande influência, principalmente, inglesa e francesa. O Bund, às margens do rio Huangpu, ainda tem muitos prédios coloniais, lembrança do tempo em que Xangai era o terceiro maior centro financeiro do mundo.
  Atualmente, Xangai é o maior centro comercial e financeiro da China e ocupa o quinto lugar no índice de Centros Financeiros Globais publicado pela City de London, em 2011. Essa semana foi anunciado que Xangai sediará o novo Banco de Desenvolvimento dos cinco países emergentes do grupo Brics (Brasil,Rússia, Índia, China e África do Sul).
  Nós chegamos em Xangai no dia do aniversário do Igor e nosso primeiro passeio foi no famoso The BundA palavra "bund" significa cais aterrado. Em cidades portuárias chinesas, o termo inglês passou a significar, especialmente, cais aterrado ao longo da costa. O bund é conhecido também como Zhongshan Lu e ficava no coração do que era a cidade colonial. A visão mais famosa e atraente está no lado oeste, com 26 edifícios de diferentes estilos arquitetônicos, incluindo o gótico, barroco, renascentista. Porém, a vista do Rio Huangpu e da área de Pudong, é maravilhosa. 
The Bund
The Bund
The Bund

 Na foto acima, o prédio da minha esquerda, é o Banco de Hong Kong e Shanghai. Sua construção teve início em 1921, sendo concluído em 1923. Ao lado, o prédio com uma torre de relógio é a Casa da Alfândega.
Casa da Alfândega
                         Voltamos lá de dia, porém a beleza não é a mesma.
 Banco de Hong Kong e Shanghai 
  Banco de Hong Kong e Shanghai  e Casa da Alfândega
 Banco Bangkok
Banco Comercial da China 
Calçada à beira-rio (de um lado o The Bund e de outro o Pudong)
  Pudong é um distrito de Xangai que começou a ser desenvolvido em 1990, emergindo como o centro financeiro e comercial da China. Pudong abriga importantes marcos arquitetônicos como a Torre de TV Pérola Oriental,  a Torre Jin Mao e o Shanghai World Financial Center. Não tivemos tempo de conhecer esta região, fica para a próxima.

 Rio Huangpu e Pudong
 Rio Huangpu e Pudong
 Rio Huangpu e Pudong
  Rio Huangpu e Pudong
 Torre de TV Pérola Oriental
   Comemoramos o aniversário do Igor jantando em um restaurante delicioso na concessão francesa e depois fomos beber uma cerveja em um bar badalado de Xangai.  
   


Olha o restaurante que encontramos no bairro da concessão francesa:


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Qualquer semelhança é mera coincidência.

 Andando um pouco aqui pela China observamos algumas lojas imitando os logos de marcas famosas. Fotografei algumas para colocar aqui no blog. 
  

 


Enquanto houver encontros, haverá despedidas.

  Hoje Jiangmen acordou triste, dois grandes amigos, Nayara e Christian, seu lindo filho Murilo e sua filha Helena (ainda na barriga)voltaram para o Brasil. Amigos que conhecemos aqui do outro lado do mundo e que compartilharam conosco vários momentos especiais. Pessoas agradáveis, divertidas e de bem com a vida, que vão fazer muita falta. Por outro lado, estou feliz, pois eles irão rever a família, amigos e matar a saudade da comida deliciosa do Brasil. 
 Fizemos o jantar de despedida em um restaurante de comida ocidental que gostamos e frequentamos muito. Só por curiosidade, sempre que vamos lá está tocando música brasileira. Ficamos sabendo que a dona, uma chinesa, namorou um brasileiro. O jantar foi ótimo!!!
Restaurante Red Garlic
Jantar de despedida
 Desejo tudo de maravilhoso para vocês e espero revê-los o mais breve possível, na China ou no Brasil. 

  


 Não é fácil ficar longe, principalmente, num país tão diferente culturalmente. Imagino a ansiedade e a vontade de chegar logo e abraçar todos. Acho que essa música representa um pouco esse sentimento...


domingo, 13 de julho de 2014

“O ouro é precioso; o jade não tem preço” - Provérbio Chinês

  O jade, ou () em mandarim, é uma pedra dura e compacta que varia da cor esbranquiçada a verde-escura. Sua história é tão longa quanto a civilização chinesa, onde muitos objetos feitos de jade foram encontrados por arqueólogos em território chinês.
Existem duas variedades de jade, a jadeíte e a nefrite. A nefrite é a mais comum, seu valor depende mais da qualidade artística envolvida na modelação e escultura da peça do que da pedra em si. A jadeíte, no entanto, é mais valorizada por causa de sua maior qualidade de translucidez e tons verdes profundos. A maioria das joias são feitas de jadeíte, ao invés de nefrite. Além da cor da pedra, outras características devem ser levadas em consideração durante a avaliação de seu valor, como um acabamento liso, textura homogênea, translucidez, transparência semelhante à do mel, e uma coloração intensa e uniforme. Qualquer jade com textura manchada, qualquer nebulosidade, cor opaca ou pequenas rachaduras é considerado menos valiosa.
  O jade tem sido utilizado em praticamente todos os períodos da história chinesa e, geralmente, está de acordo com o estilo de decoração característica da arte de cada período. Assim, os primeiros jades, do Período Neolítico, muitas vezes são bastante simples e sem adornos.  Na China antiga, as pessoas usavam a pedra para afastar o mal. O bì () e cóng () são tipos de objetos de jade encontrados em períodos iniciais e provavelmente possuíam um significado religioso. O é um disco furado ao meio e o cóng é um tubo com uma secção transversal quadrada e um furo circular. Acredita-se que o bì representa o céu e o cóng a terra.
Exemplo de um bì da Dinastia Han, com desenhos de dragão
Exemplo de um cóng do período Neolítico
  A resistência da pedra a tornava ideal para o uso em armas e ferramentas, porém sua beleza transformou-a em uma pedra de ornamentação, decorando imagens religiosas, túmulos de importantes membros da família imperial e joias. 
  Escultura de jade do Casino Grand Lisboa em Macau

   Escultura de jade do Casino Grand Lisboa em Macau
   Escultura de jade do Casino Grand Lisboa em Macau
 Esculturas de jade em uma loja de Pequim 
Foto tirada em uma joalheria perto de casa

  Os chineses mais tradicionais, além de enxergarem a jade como um símbolo de status e riqueza, também atribuem a ela poderes místicos capazes de espantar energias negativas e contribuir para a saúde. Antigas crenças relacionadas com o poder da pedra ainda permanecem, incluindo a prática de usar pulseiras de jade para proteção. Os pais chineses costumam dar às suas filhas ou filhos braceletes com a pedra para lembrá-los da proteção dos pais e do amor. A pedra é considerada um símbolo do belo e do precioso, incorporando cinco virtudes: o amor no brilho, a verdade na transparência, a sabedoria na sonoridade, o valor na sua dureza e a justiça pela sua suavidade.
 Os acessórios mais comuns feitos de jade que observo nas pessoas por aqui são pingentes em formato de disco ou Buda, amarrados por uma cordinha vermelha, cordão, anel e o famoso bracelete. Existe jade de tudo quanto é forma e preço, desde joias caríssimas a bijuterias.
Foto tirada em uma joalheria perto de casa

Curiosidade:
- nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, as medalhas foram confeccionadas com detalhes de jade. A medalha de ouro apresentou um círculo de jade branco na parte de trás, enquanto a de prata o detalhe foi de jade verde claro e a de bronze verde escuro.




quinta-feira, 10 de julho de 2014

Xi'an e o Exército de Terracota

 Em mais um dia chuvoso, saímos para conhecer o aguardado Exército de Terracota. Considerado as escavações arqueológicas mais importantes do século 20 e conhecido também por Guerreiros de Xi'an e Exército do Imperador Qin, é uma coleção de esculturas de terracota em tamanho natural de guerreiros e de cavalos dispostos em posição de batalha.  
  A terracota é um material constituído por argila cozida no forno e é utilizada em cerâmica e construção.  As imagens em terracota foram enterradas junto ao mausoléu do Imperador Qin Shi Huangdi e foram descobertas em Março de 1974 por agricultores locais que escavavam um poço de água. E quem foi esse Imperador?   
   Qin Shi Huangdi assumiu o trono Qin aos 13 anos e no início governou com o título de rei. Após escapar de várias tentativas de assassinato e de eliminar estados menores passou a governar como Imperador do estado que se tornaria a China, reinando de  221 a 210 a.C. O Estado Qin se baseou nas teorias políticas do legalismo e pulso de ferro, onde o papel do governante era o de chefe supremo, que adotava um sistema de responsabilidade coletiva. Ele padronizou o sistema monetário e o de pesos e medidas e promoveu grandes aperfeiçoamentos na agricultura e na irrigação. Depois da unificação da China, ele recrutou milhares de operários para as obras defensivas do Norte, criando a Grande Muralha. 
 A construção do seu mausoléu começou em 246 a.C. e acredita-se que 700.000 trabalhadores e artesãos levaram 38 anos para finalizar. O Exército de Terracota é apenas uma parte (a tropa de defesa) de uma necrópole complexa. Especula-se que muitos tesouros e objetos artísticos foram enterrados junto com o Imperador. Consta que o complexo também possui 48 túmulos de concubinas, que teriam sido enterradas vivas com o imperador, destino também reservado aos operários, para evitar que se descobrissem a localização e o projeto do túmulo. A 1,5 Km das trincheiras onde estão os Guerreiros, há uma grande colina, que se acredita ser o túmulo do Imperador. Este local ainda não foi escavado por completo, pois existe o temor de que as chuvas possam afetar a sua estrutura. Qin Shi morreu acreditando que seu famoso exército o protegeria após a morte.
   As escavações arqueológicas do Exército de Terracota ainda estão em curso. Isto se deve à fragilidade natural do material e sua difícil preservação.  Cada guerreiro é único e deve ser remontado meticulosamente por uma equipe. Os guerreiros eram coloridos, porém a maioria perdeu a cor em contato com o ar. As escavações iniciais resultaram em três trincheiras e mais de 7 mil soldados, arqueiros e cavalos. As trincheiras eram cobertas por ripas de madeira e depois soterradas. A trincheira 1 é a maior e encontra-se a Infantaria, com mais de 6 mil figuras de soldados, carruagens e cavalos; a 2 continha mais de mil guerreiros e 90 carros de madeira; e a 3 parecia ser o centro de comando do exército,  com 68 guerreiros, um carro de guerra e quatro cavalos.
 Os soldados do Exército de Terracota variam em altura de acordo com suas funções, sendo os generais os mais altos. A pintura da face, a expressão facial individualizada e as armas e armaduras reais utilizadas criavam uma aparência realista e mostravam a qualidade do trabalho e a precisão envolvida na sua construção. Acredita-se que estas armas foram feitas antes de 228 a.C. e podem ter sido usadas na guerra, porém muitas delas se deterioraram com o tempo. Carruagens feitas com grande precisão e detalhes também foram incluídas como parte do exército do imperador Qin.
  Por ser uma grande atração turística, o museu estava simplesmente lotado!!! Foi difícil ver os guerreiros com calma e tranquilidade, pois era muita gente e uma confusão para conseguir fotografar. Alguns dos guerreiros foram retirados das escavações e ficam expostos cercados por um vidro, o que também dificulta a qualidade das fotos. Porém, não tem nada que possa estragar a emoção de conhecer estes Guerreiros.
Guerreiro e seu cavalo
  Abaixo a foto de um arqueiro, resguardado por uma armadura no tórax e ajoelhado em posição de defesa. O detalhe do rosto é impressionante.
Arqueiro
  Abaixo a figura de um oficial, vestido de acordo com seu posto de comando, com uma túnica de duas camadas até os joelhos, se diferencia por ser mais alto do que os demais guerreiros.          
 Oficial de alta patente
Carruagem de Bronze
 Outro tesouro do Exército de Terracota são duas carruagens de bronze, descobertas em 1980 e restauradas ao longo de dois anos e meio. Elas possuem metade do tamanho natural e contém 1720 peças de ouro e prata, pesando 7 Kg. 
Guerreiros ainda aguardam restauração
 Guerreiros ainda aguardam restauração
Trincheiras ainda não escavadas
Detalhes dos Guerreiros
 Trincheira 1 
Infantaria
O impressionante Exército de Terracota
Exército de Terracota
Exército de Terracota
Exército de Terracota
Exército de Terracota
Exército de Terracota
Exército de Terracota