terça-feira, 24 de junho de 2014

De PINGYAO para XI'AN

 Voltamos para o aeroporto de Taiyuan com um carro particular contratado no Hotel de Pingyao. A viagem, que de ônibus demorou quase 3 horas, levou uma hora e meia de carro. De Taiyuan até o aeroporto de Xi'an foi 1 hora de voo e mais 1 hora e meia do aeroporto até o hotel. 
 Xi'an é a capital da província de Shaanxi e foi a capital da China ao longo de várias Dinastias, entre as quais Zhou, Han, Qin, Sui e Tang. Atingiu seu auge na Dinastia Tang, quando sua posição na extremidade oriental da Rota da Seda a transformou numa metrópole agitada. Xi'an também é conhecida como o lugar do Exército de Terracota.
 Começamos nosso passeio pelo Pagode do Grande Ganso ou Dayan, erguido em 652 durante a Dinastia Tang. Tentamos pegar um táxi para ir até lá, porém os taxistas queriam cobrar um preço fixo. Como a cidade estava cheia de "TUC-TUC" e não conseguimos andar em Pequim, resolvemos embarcar nessa aventura. O "TUC-TUC" é o nome dado a uma moto com uma carreta para o transporte de passageiros. Ainda é muito comum aqui na China, principalmente nas cidades turísticas. Em Pequim e Xi'an observei muitos chineses utilizando esse transporte no lugar dos táxis. Como tudo aqui na China, falamos para onde queríamos ir e a negociação começou. Fechado o preço, a senhora nos conduziu com seu "tuc-tuc" cortando os carros e buzinando sem parar. Foi muito divertido e confesso que deu medo, pois em certos momentos parecia que ela ia bater. Porém, chegamos bem ao destino. Abaixo o vídeo.



  O Pagode do Grande Ganso possui 64 metros de altura e funcionou para guardar materiais budistas que foram trazidos da Índia pelo monge Xuanzang. Este monge viajou para a Índia, o berço do Budismo, e voltou com pacotes de sutras, os quais traduziu para o chinês. Com base na viagem para a Índia, ele também escreveu um livro intitulado "Peregrinação ao Oeste", de grande importância para os estudiosos. Construído de tijolo, a estrutura do pagode é muito firme. Pode-se subir no pagode pagando uma taxa adicional, porém nós não subimos. Preferimos andar pelo templo Daci'en, que fica no entorno do pagode e é muito bonito. 
Pagode do Grande Ganso
Pagode do Grande Ganso

Pagode do Grande Ganso
Pagode do Grande Ganso
Templo Daci'en
Templo Daci'en
 Templo Daci'en

 Templo Daci'en

Monge Xuanzang e o Pagode do Grande Ganso


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pingyao, uma joia antiga - Parte 2

 Acordamos cedo, pois só tínhamos um dia para conhecer Pingyao. Por sorte, o tempo ajudou e parou de chover. Caminhar pela cidade é de graça, porém para entrar nos 18 locais históricos e subir no muro deve-se comprar um ingresso, que é válido por 3 dias. Após comprar nossos ingressos, começamos o passeio. Aos poucos, minha impressão negativa do dia anterior foi se transformando em um sentimento de euforia.  A cada lugar que visitávamos, dava mais vontade de explorar a cidade. Eu e o Igor ficamos até umas 18:30 andando e conhecendo a cidade, só paramos para almoçar. Adorei conhecer esse lugar histórico e mágico conservado pelo tempo. A seguir, um pouco da história da cidade e as fotos dos locais que visitamos. 
 Pingyao (平遥) localiza-se na área central da província de Shanxi, no norte da China. Sua história possui cerca de 2.700 anos, sendo uma das cidades antigas mais bem preservados do mundo. A cidade antiga é um Patrimônio Mundial da UNESCO (1997) e tornou-se uma grande atração turística. 
  Cercada por um dos poucos muros intactos do período Ming, as ruas de Pingyao têm uma fartura de edificações tradicionais chinesas, templos e mais de 3 mil lojas históricas. O muro da cidade, que data de 1370, possui 6,4 Km de comprimento, 10 metros de altura e 72 torres de observação. Diz-se que tem o desenho de uma tartaruga. A cabeça fica na porta sul, as quatro patas nas portas leste e oeste, e a calda na porta norte. Tradicionalmente, a tartaruga era considerada um símbolo de longevidade, representando a esperança de que a cidade antiga seria permanentemente segura. 

Muro de Pingyao
Muro de Pingyao
No muro de Pingyao
No muro de Pingyao

 Dentre os edifícios históricos, visitamos primeiro o Rishengchang, primeiro banco da China. Fundado em 1823, Rishengchang controlava quase 50% do comércio de prata, alcançando o topo durante a  Dinastia Qing. Ele continuou mantendo sua prosperidade até ir à falência em 1914, com a construção de muitos bancos modernos. Ele ocupa 1,4 m² e possui 21 construções. 
Banco Rishengchang
 Banco Rishengchang
 Conhecemos alguns museus que mostram como eram o serviço de escolta armada durante as Dinastias Ming e Qing. Neles podemos observar vários objetos do estudo da arte marcial, armas, etc. 
Museu
Museu
Olha a bandeira do Brasil
Ruas de Pingyao 
Pingyao
 Pingyao
  Outro local muito bonito é o Templo de Confúcio. As partes do complexo do templo, que decorrem da construção de 1163, são os únicos exemplos da Dinastia Jin. Na entrada do templo encontram-se os doze animais que representam os signos na Astrologia Chinesa. Aproveitamos e tiramos uma foto com o animal do nosso signo.
Templo de Confúcio
 Templo de Confúcio
  Templo de Confúcio
  Para nossa surpresa, existe uma Igreja Católica na cidade. A Igreja é pequena e muito simples, com uma imagem de Nossa Senhora ao lado da entrada principal. 
Igreja Católica 
 Igreja Católica 

 Visitamos ainda o edifício do governo, um complexo que abrigava a casa e o escritório do prefeito, juiz e oficiais. Este local enorme, com mais de 300 salas, possui um portão cerimonial, vários escritórios, uma prisão, um tribunal, salas de reuniões, uma área residencial e um belo jardim. Construído em 1346 durante a Dinastia Yuan, foi reconstruído durante a dinastia Ming. 
Edifício do Governo
Edifício do Governo
Edifício do Governo
Edifício do Governo
Pingyao
 Pingyao

Pingyao

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pingyao, uma joia antiga

 Chegar em Pingyao não foi uma tarefa fácil. Saímos bem cedo de Pequim e pegamos um avião para a cidade de Taiyuan (uma hora de viagem), a mais próxima que possui aeroporto. De Taiyuan, podíamos ir para Pingyao de trem ou de ônibus. Como a viagem de trem era mais rápida, escolhemos essa opção. No aeroporto de Taiyuan, pegamos um ônibus para a estação de trem. Com o guia na mão e escrito em mandarim o nome da estação de trem, perguntei onde era para descer. Um casal de chineses falou que estava indo para lá e fomos seguindo eles. Andamos bastante e nada da estação chegar. Com isso, fiquei desconfiada e mandei eles irem embora. Achamos melhor pegar um táxi, mas nenhum taxista queria nos levar. Eles falavam muito e não entendíamos nada. Resolvi mostrar novamente o guia para um jovem que passou e entendemos que estávamos muito perto. Só que para nossa surpresa, chegamos numa rodoviária e não numa estação de trem. Por curiosidade, rodoviária se escreve 汽车站 (Qìchē zhàn) e estação de trem 火车站 (huǒchē zhàn), sendo diferente somente o primeiro ideograma. Uma observação, o casal que tentou nos ajudar estava na rodoviária. 
 O pouco tempo que ficamos em Taiyuan deu para perceber que a cidade é muito poluída. A rodoviária estava muito suja e a poeira incomodou muito. Por sorte, o ônibus não demorou muito para sair. Demoramos umas 2 horas e meia para percorrer os 90 km de Taiyuan até Pingyao. Esse tempo longo não foi devido à estrada ser ruim, muito pelo contrário, a estrada era ótima, com três pistas. O problema era que o motorista não passava de 60 km/h. Que agonia!!!!  

Exaustos no ônibus

  Como Pingyao é uma cidade murada, o ônibus nos deixou do lado de fora da cidade. Ao desembarcar, vários chineses nos ofereceram transporte até o Hotel. Após muita negociação, acertamos o valor com um deles. Pensamos...tudo resolvido. Que nada! Ele entrou na cidade e queria nos deixar em uma rua qualquer e não na frente do Hotel. Começou a reclamar muito e a andar com o carro como se estivesse perdido, porém nós não descemos. O Igor ligou para o Hotel e pediu para a moça da recepção falar com ele. Eles ficaram um tempão no telefone e quando o Igor perguntou para a moça o que estava acontecendo, ela disse que ele queria mais dinheiro para nos levar até o Hotel. Fingimos que não entendemos e continuamos dentro do carro. Acho que ele percebeu que não iria adiantar aquele "show" todo e rapidinho chegou no Hotel. 
  Após toda essa maratona, chegamos cansados e com muita fome. Por sorte, o Hotel tinha restaurante e a comida estava deliciosa. Como estava chovendo e já era tarde, demos uma volta rápida por algumas ruas da cidade. Devo confessar que a primeira impressão que tive de Pingyao não foi boa, tanto do lado de fora do muro quanto do lado de dentro. Do lado de fora, passamos rápido de carro quando estávamos indo para o Hotel e a cidade me pareceu suja e abandonada. Do lado de dentro, por causa da forte chuva e da cor das construções, a cidade parecia um mar de lama. Com isso, achamos melhor descansar e aproveitar a cidade no dia seguinte. 
Nosso Hotel

 Almoço delicioso

Pingyao


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Festival do Barco do Dragão

   No quinto dia do quinto mês, de acordo com o calendário lunar chinês,  é comemorado o Festival do Barco do Dragão. Neste ano, o festival aconteceu no dia 2 de Junho, sendo feriado na China desde o dia 31 de Maio. Também conhecido como Duanwu, é considerado o terceiro festival tradicional chinês mais importante e tem sido celebrado anualmente há mais de 2000 anos.
  Muitas lendas circulam em torno do festival, porém a mais popular é a da morte do poeta patriótico Qu Yuan (340-278 a.C). Qu Yuan foi ministro do rei de Chu, um dos sete estados em guerra antes de Qin, na primeira dinastia feudal da China. Qu Yuan apoiou a decisão de lutar contra o poderoso estado de Qin, porém ele foi caluniado pelo aristocrata Zi Lan e foi exilado pelo rei. Durante seu exílio, ele escreveu muitos poemas demonstrando amor pelo seu país. Em 278 a.C, ao informar-se de que a capital de seu país (Reino Chu) fora ocupada pelas tropas do Reino Qin, o poeta atirou-se no rio Miluo. 
 Entre os costumes realizados durante o festival, destaca-se as corridas de barcos de dragão. A lenda diz que a corrida é para comemorar a tentativa de resgate de Qu Yuan, pois ao saber da sua morte todas as pessoas locais procuraram seu corpo navegando em seus barcos. Os barcos do festival geralmente possuem uma decoração luminosa, com a parte frontal em forma de dragões de boca aberta e a parte traseira com uma cauda escamosa.  Outro costume é a preparação e o consumo do Zongzi, um bolo feito de arroz bem cozido e envolvido em folhas de bambu, com diferentes formas e vários tipos de recheios. Ele pode ser recheado com ovo, feijões, frutas, batata doce, nozes, cogumelos, carne ou uma combinação deles. 
  Outra teoria é que o Festival Duanwu possui suas origens no culto ao dragão, onde a tradição de comer Zongzi representa uma oferta ao rei dragão, enquanto que as corridas de barco refletem a reverência.  
  Como estou na China, não poderia ficar de fora desse festival interessante. Nós fomos acompanhar o festival no Guifeng Mountain National Forest Park (falei desse parque em Março). O festival ocorreu no lago Jade, localizado na entrada do parque. O festival começava às 10 horas da manhã e quando chegamos, por voltas das 9 horas, o lugar já estava lotado. Foi um pouco complicado ver a corrida dos barcos, pois as pessoas que chegaram cedo estavam nos melhores lugares. Como estava muito sol e os chineses não gostam de se queimar, as sombrinhas também atrapalharam muito a visão. Porém, como na China os lugares estão sempre cheios, a solução é relaxar e curtir o passeio. Foi exatamente o que eu fiz.
Qu Yuan 
 Corrida de barco de dragão
Corrida de barco de dragão
Corrida de barco de dragão
 Corrida de barco de dragão

 Corrida de barco de dragão

Largada da corrida

  Em relação ao Zongzi, o bolinho de arroz, nós ganhamos alguns da dona do apartamento em que moramos e de um chinês do trabalho do Igor. Eu provei e não gostei, mas o Igor adorou.
Zongzi

Guifeng Mountain National Forest Park 





segunda-feira, 2 de junho de 2014

Almoçando na China

 Como quase não falei sobre comida chinesa no blog, resolvi abordar rapidinho esse assunto. Eu sempre esqueço de fotografar os pratos, pois quase sempre estamos famintos quando a comida chega.  Hoje saímos para almoçar na rua e, finalmente, tirei algumas fotos.
 Almoçar em um restaurante chinês não é uma tarefa fácil, pois raríssimos são os que possuem cardápio em inglês. É engraçado que quando eles possuem o cardápio em inglês, na maioria das vezes, as opções são menores do que a do cardápio em mandarim.  Uma opção é procurar restaurantes que contenham fotos dos pratos e tentar a sorte, porque nem sempre a comida é parecida com a foto. Apesar das dificuldades, já conhecemos alguns bons restaurantes por aqui e ainda quero conhecer mais. Um que gostamos muito é de alguns chineses muçulmanos, lá a comida é deliciosa. 
 Os muçulmanos de etnia chinesa são chamados de Hui,  sendo um dos 56 grupos étnicos oficialmente reconhecidos na China. Sua culinária é fortemente influenciada pela de Pequim, com quase todos os métodos de cozimento idênticos, sendo diferentes em alguns fatores devido às restrições religiosas. Um  exemplo, é não possuir carne de porco no cardápio, uma das mais consumidas pela população chinesa. Alguns pratos famosos dessa culinária são:
1- Lāmiàn ou 拉麵 é um prato de macarrão, geralmente servido com carne, mas às vezes frito  e servido com um molho de tomate. Literalmente, 拉(LA) significa puxar ou esticar, enquanto 面(Mian) significa macarrão. A massa deve ser esticada repetidamente para produzir um único macarrão comprido.

2- Sopa de macarrão com carne: é composto por carne cozida, caldo de carne, legumes e macarrão de trigo. Ela foi criada pelo povo Hui durante a dinastia Tang da China. Eu adoro essa sopa!

3- Chuanr:  originários da província de Xinjiang, são pequenos pedaços de carne em espetos assados ​​no carvão ou, às vezes, no calor elétrico. Pode ser classificado como um tipo de kebab. Chuanr era tradicionalmente feito de cordeiro, que ainda é o mais comum, mas agora também é feito com frango, carne bovina e vários tipos de frutos do mar.

4- Suan cai: é um repolho usado em vários pratos da culinária chinesa. Na culinária islâmica é um dos ingredientes da sopa de macarrão com carne.

5- Nang: é um tipo de pão redondo, coberto com gergelim. 

  Abaixo fotos do restaurante.
 CARDÁPIO
Algumas fotos dos pratos
Sopa de caldo de frango servida de cortesia
ARROZ TRADICIONAL CHINÊS 
Foto do prato e o prato real (bem parecido)